segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A arte de escrever





A arte de escrever
Arthur Schopenhauer
Coleção L&PM Pocket
176 páginas
ISBN-13: 978.85.254.1464-9
Preço: R$ 12,00



Um pequeno grande livro, difícil escrever sobre ele. Como, se em grande parte do texto Schopenhauer distribui críticas ferinas e xingamentos nada sutis contra os "desperdiçadores de tinta" (atualmente seriam de bits? preciso perguntar ao Marcelo) e os maus escrivinhadores?

Difícil, muito difícil. Melhor limitar-me a repetir informações da contracapa e transcrever trechos sublinhados em páginas com orelha dobrada. Raramente dobro pontas de páginas nos meus livros (e nunca nos dos outros!), porque uma vez dobrada, marcada para sempre. Mas esse livro me pediu para fazer isso, e também sublinhar muitos trechos e expressões.

Arthur Schopenhauer (século XIX) é um dos mais importantes filósofos alemães. Não vou entrar na questão da linha filosófica, que serei então uma verdadeira desperdiçadora de tinta; informo apenas que ele foi influenciado por Kant, por sua vez influenciou Nietzsche, introduziu o budismo na metafísica alemã e desprezou Hegel, cuja obra ele chamava de pseudo-filosofia.

"A arte de escrever" é na verdade uma antologia de ensaios recolhidos de "Parerga e Paralipomena", uma de suas obras mais importantes. São textos recheados de críticas ferozes e reflexões sobre o ato de pensar e escrever, dos quais eu copio alguns dos trechos que sublinhei.

Sobre a erudição e os eruditos
"Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!"

Pensar por si mesmo
"O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre." (essa é um chute na minha canela!!)

"Ler significa pensar com uma cabeça alheia, em vez de pensar com a própria. [..] As pessoas que passam suas vidas lendo e tiram sua sabedoria dos livros são semelhantes àquelas que, a partir de muitas descrições de viagens, têm informações precisas a respeito de um país.

Sobre a escrita e o estilo
"Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro, e o público é tolo o bastante para comprá-lo."

"Usar muitas palavras para comunicar pensamentos é sempre o sinal inconfundível de mediocridade [...]. A verdade fica mais bonita nua, e a impressão que ela causa é mais profunda quanto mais simples for sua expressão."

Sobre a leitura e os livros
"Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar. É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura." (qualquer semelhança...)

"E, assim como o excesso de alimentação faz mal ao estômago e dessa maneira acaba afetando o corpo todo, também é possível, com excesso de alimento espiritual, sobrecarregar e sufocar o espírito."

"... os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos."

E eu que comprei esse livro sabendo quase nada do Schopenhauer, na ilusão de que ele me ajudaria a escrever melhor... Pelo menos serviu para dar uma chacoalhada, para eu entender que preciso descer do cavalo (os livros) e andar com meus próprios pés. Só tem um problema: como Schopenhauer mesmo diz, "é possível a qualquer momento sentar e ler, mas não sentar e pensar."

PS - Alan, thanks, "Under Milk Wood" (Dylan Thomas) on my list.

2 comentários:

Alan disse...

Thank YOU dear, for putting it on the list, actually have you read it?

Helô disse...

No, not YET:)