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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Eva Luna


Isabel Allende
288 páginas
ISBN 9871138873
Preço: 19 pesos (no catálogo da editora)


Já li esse livro duas vezes: uma em inglês, presente da Inge quando veio ao Brasil (que eu emprestei sem nunca receber de volta...) e a segunda em espanhol, presente da Gabi quando foi a Buenos Aires. Deveria ler uma terceira, em espanhol mesmo, para ter a memória reavivada por uma das estórias mais lindas que já li, e encontrar as palavras para tentar traduzir as emoções que esse livro desperta.

Falar sobre a autora é chover no molhado. Acredito que qualquer pessoa que tenha amor por livros e especialmente por estórias bem contadas já leu alguma obra da Isabel Allende. Em Eva Luna, sua terceira novela, Isabel descreve a vida latinoamericana de pobreza, riqueza, ditaduras militares e religiosas, revoluções e mortes mas sobretudo de muito amor, usando a memória e a imaginação em doses fartas. Eva, a protagonista, que usa a voz para contar a estória do livro e muitas outras mais, tal qual Sherazade e seus 1001 contos, é considerada o alter ego de Isabel, que chama a si própria de "ladra de estórias".

Eu queria encontrar um trecho para copiar aqui, quando Eva conta sobre o poder mágico que o ato de fazer amor exerce sobre a casa de madeira dos tios de Rolf, mas só encontrei uma menção. E acho melhor ficar com ela, porque me conheço e, como a menina que largava o caderno - onde o tema da escola esperava - para ler "apenas uma estorinha" em quadrinhos perdendo assim a manhã inteira, se começar a procurar vou acabar me enredando na paixão que esse livro desperta, e lá se vai o dia e a disciplina de tentar seguir a minha lista dos 100.

"Aquella noche y todas las noches seguientes retozamos con un ardor interminable hasta que las maderas de la casa adquirieron el brillo refulgente del oro."

PS - inspirada pela leitura do "Tudo sobre livros" e pela maneira como a Karen e a Miki oferecem informações, a partir dessa postagem tenho uma mini ficha técnica e marcadores.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O livro dos abraços






"O livro dos Abraços"
Eduardo Galeano
L&PM Coleção Pocket


Eis outro livro do "ranchinho" que fiz na Siciliano há algumas semanas atrás. Os livros dessa coleção são um pouco mais caros que os da Pocket Plus, mas são também mais longos.

Confesso minha quase total ignorância sobre o autor. Que é latino-americano eu sabia, mas pensava ser argentino. É uruguaio, de Montevideo, nascido em 1940. Como tantos outros escritores e pessoas que ousam pensar por conta própria - e além disso, dizer ou publicar o que pensam, foi caçado pela ditadura militar, essa praga que assolou o nosso continente. Esteve exilado na Europa um bom tempo, onde escreveu grande parte de seus livros.

Esse, dos abraços, é uma coletânea de pequenas histórias, colhidas em andanças pelo mundo, ouvidas, sonhadas, vividas. Pedacinhos da memória do autor, "a memória viva", como ele mesmo diz, que "nasce a cada dia". A contracapa já avisa: "Abra esse livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida". Tem histórias que me fizeram rir, como a dos bêbados abençoados porque verão Deus duas vezes, tem histórias de pura poesia, como a do menino que, ao ver o mar pela primeira vez e sem encontrar palavras para dizer o que sentia, pediu ao pai: "me ajuda a olhar". Mas tem também, e muitas, histórias que enchem de raiva, aquela raiva que dá vontade de gritar e bater com a cabeça na parede e perguntar por quê, por que alguns seres humanos são mais monstruosos do que a mais monstruosa das bestas jamais inventada pelo nosso inconsciente coletivo?

"O livro dos abraços" ganhou um lugar na minha mesa de cabeceira, onde coloco livros que posso ler aos pedaçinhos, quando não quero me comprometer com longas histórias. Mas desconfio que terei que providenciar uma capa para ele, porque ele também vai estar muitas vezes na minha bolsa, me acompanhando no ônibus, numa sala de espera, em viagens para Garibaldi. Foi o primeiro do Eduardo Galeano que li, mas certamente não será o único.