
"O livro dos Abraços"
Eduardo Galeano
L&PM Coleção Pocket
Eis outro livro do "ranchinho" que fiz na Siciliano há algumas semanas atrás. Os livros dessa coleção são um pouco mais caros que os da Pocket Plus, mas são também mais longos.
Confesso minha quase total ignorância sobre o autor. Que é latino-americano eu sabia, mas pensava ser argentino. É uruguaio, de Montevideo, nascido em 1940. Como tantos outros escritores e pessoas que ousam pensar por conta própria - e além disso, dizer ou publicar o que pensam, foi caçado pela ditadura militar, essa praga que assolou o nosso continente. Esteve exilado na Europa um bom tempo, onde escreveu grande parte de seus livros.
Esse, dos abraços, é uma coletânea de pequenas histórias, colhidas em andanças pelo mundo, ouvidas, sonhadas, vividas. Pedacinhos da memória do autor, "a memória viva", como ele mesmo diz, que "nasce a cada dia". A contracapa já avisa: "Abra esse livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida". Tem histórias que me fizeram rir, como a dos bêbados abençoados porque verão Deus duas vezes, tem histórias de pura poesia, como a do menino que, ao ver o mar pela primeira vez e sem encontrar palavras para dizer o que sentia, pediu ao pai: "me ajuda a olhar". Mas tem também, e muitas, histórias que enchem de raiva, aquela raiva que dá vontade de gritar e bater com a cabeça na parede e perguntar por quê, por que alguns seres humanos são mais monstruosos do que a mais monstruosa das bestas jamais inventada pelo nosso inconsciente coletivo?
"O livro dos abraços" ganhou um lugar na minha mesa de cabeceira, onde coloco livros que posso ler aos pedaçinhos, quando não quero me comprometer com longas histórias. Mas desconfio que terei que providenciar uma capa para ele, porque ele também vai estar muitas vezes na minha bolsa, me acompanhando no ônibus, numa sala de espera, em viagens para Garibaldi. Foi o primeiro do Eduardo Galeano que li, mas certamente não será o único.
5 comentários:
Helô, estava procurando na internet algo do Galeano e encontrei este seu post... Pode acreditar, minha ida à livraria nao vai demorar nem um pouco! Qdo acabar de ler, volto pra comentar!
Bjinhos,
Fernanda
Olá Helô!
Muito legal seu blog e lindo esse texto, que é muito do que penso também d'O Livro dos Abraços. Linkei em um texto do meu blog mais cotidiano (http://brasiliamaranhao.wordpress.com/2010/07/28/como-e-gostoso-se-apaixonar-de-novo) e tenho outro blog com textos do Galeano (http://bocasdotempo.blogspot.com).
Abraços!
Me indicaram esse livro e pelo que li por ai deve ser um máximo - mês que vem vou compra-lo.
Lindo que só ele mesmo.
As vezes volto pra dar uma olhadinha no que o Galeano falou sobre qualquer coisa.
Aí eu lembro porque fiquei com vontade de reler!!
Eu tive a sorte de encontrar este livro este ano, em uma banca de revistas na rodoviária de Recife-PE, foi um maravilhoso acaso.
Do Eduardo Galeano só tinha visto menção feita pelo excelente Mia Couto em um video dele em uma conferência sobre segurança. O video é excelente aliás e trata sobre o medo.
Vi depois El Derecho Al Delírio em video e fiquei com o nome de Galeano na cabeça.
Quando encontrei o livro comprei sem hesitar.
Cada história é uma bomba e um presente.
Simplesmente fantástico. Depois dele fiquei fã e já quase completei a coleção.
Topei também por acaso com o Livro Pimentas de Rubem Alves, vale a pena cada página, estou quase no fim.
Abraços.
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