
"Sobre a brevidade da vida"
Sêneca
L&PM Coleção Pocket Plus
A coleção L&PM Pocket Plus tem títulos muito interessantes. São livrinhos pequeninos, como "24 horas na vida de uma mulher" e esse, que eu demorei para ler, porque estava (e ainda estou) envolvida com livros sobre vinho.
A contra-capa informa ser esse um dos textos mais conhecidos da Antigüidade latina. Confesso minha ignorância, o que só reforça a idéia que tenho sobre o que nos ensinam a ler na escola, ou pelo menos no colégio onde estudei. Sinto falta, agora, de ter lido textos como esse, que nos fazem pensar. Eu lia, lia muito, e autores de excelente qualidade, como Machado de Assis. Mas eram livros sobre os quais certamente teríamos perguntas a responder no vestibular, e esse era o objetivo. Ensinar a pensar, analítica e criticamente, não fazia parte do currículo escolar.
Lúcio Anneo Sêneca viveu em Roma no início da Era Cristã. "Sobre a brevidade da vida" é sua obra mais conhecida. São cartas escritas a um suposto amigo, cuja identidade é controversa, e que falam sobre a suposta brevidade da vida.
Sua crítica é dirigida principalmente a homens poderosos (como generais e senadores), que buscam a glória sem cessar, que trabalham todas as horas do dia, mas também àqueles que dispõem de tempo e condições financeiras para não necessitarem fazer coisa alguma. Pessoas que sonham com o dia em que se "aposentarão", quando poderão realizar todos os sonhos e projetos para os quais falta tempo, ou pessoas que acreditam ter todo o tempo do mundo, como se entre as riquezas possuídas estivesse a eternidade. Tais pessoas, ele diz, ao enfrentarem a morte protestam porque acreditam que a vida lhes é tirada injustamente, quando eles tem tantos projetos não realizados. São pessoas que não vivem, apenas existem.
"Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que te admires, durante toda a vida se deve aprender a morrer." Vida e morte são duas faces da mesma moeda, e essa moeda pode ser muito bem usada, ou guardada num bolso e esquecida, até que chegue o momento de prestar contas.
É uma leitura que eu quero repetir - porque também eu, agora que o pior aparentemente já é passado, creio ter todo o tempo do mundo, e passo dias a existir apenas. Tenho muitos projetos, e apesar de muitos deles necessitarem de investimento financeiro - ou seja, inviáveis no momento, tenho outros tantos que só necessitam de investimento pessoal, de comprometimento. "Ah, deixa prá amanhã, hoje não estou com vontade." Sei que a depressão é responsável em grande parte, mas tenho certeza de que um pouco de disciplina mudaria o quadro.
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