
"Entre quatro paredes"
Jean-Paul Sartre
Editora Civilização Brasileira
Meu primeiro Sartre. A Gabi comprou esse livro há um tempo atrás, por indicação, acredito, da Carol, de quem ela tem dois livros. Ele ficou circulando na minha estante, me tentando, enquanto eu me distraia com livros já lidos. Com a decisão de selecionar os 100 "obrigatoriamente-tenho-que-ler", a tentação virou decisão.
Sartre nasceu em Paris no início do século XX, e teve sua vida e obra influenciadas pela Segunda Guerra. É certamente o mais famoso filósofo existencialista - tanto é que eu, apenas agora travando relações com a filosofia, sempre soube ligar Sartre ao existencialismo. A minha Pesquisa Google me levou à Wikipédia e a uma luz para minha ignorância. No existencialismo, o papel da filosofia é invertido: desde Platão, a preocupação é o universal em detrimento do particular enquanto que para Sartre a existência deve vir antes da essência através da discussão filosófica sobre questões cotidianas, caminhando assim para a universalidade.
O drama apresentado tem cento e poucas páginas e é uma das suas mais famosas obras. O texto começa com seu subtítulo: "Peça em um ato". São apenas três personagens confinados permanentemente num espaço fechado, com poucos móveis e iluminação ininterrupta: bem-vindos ao Inferno moderno de Sartre. Não há castigos físicos nem um torturador oficial, apenas os três "clientes", como são chamados os novos habitantes, sem dormir, sem descanso, condenados a uma convivência eterna, sem trégua.
A apresentação "O inferno segundo Sartre", escrita por Miguel Sanches Neto, foi uma leitura essencial para mim. "O castigo infernal", diz ele, "é este convívio de pessoas que perderam suas proteções, de seres cuja consciência aflorou brutal, de tal forma que nada pode ser escondido." Na frase mais conhecida de Sartre, "o inferno são os outros".
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