
William Shakespeare
127 páginas
ISBN: 978.85.254.0882-2
R$10,00
Ainda nas comédias, ainda em Shakespeare. Esse vem com um atrativo extra: tradução do Millôr Fernandes. Como introdução, há trechos de uma entrevista que ele deu à então revista Senhor, em 1962, sobre tradução - que continuam atualíssimos. Uma pequena amostra: "Não se pode traduzir sem ser escritor, com estilo próprio, originalidade sua, senso profissional. Não se pode traduzir sem dignidade."
Concordo plenamente. É por isso que as traduções que faço, para ganhar uns trocados, me são tão difíceis. Não sou escritora, apesar de todos os meus sonhos e vontades. Mas procuro compensar com clareza. O que é muito pouco, claro. Lembro sempre uma crítica que li sobre a tradução de "Os frutos da terra", do André Gide: fosse a língua mãe do autor o português e a tradução não seria mais tradução e sim o trabalho original. Quem me dera!
Voltando a Shakespeare, e à Megera. Menos confusões aqui do que nos "Sonhos...", mas não menos divertidas. Acompanhar as trapaças e tramóias do decidido Petrúquio para domar e conquistar a submissão da famigerada megera Catarina é garantia de divertimento. Além disso, aparecem aqui amostras de uma das qualidades de Shakespeare: criar xingamentos inteligente e originais. Vermes teimosos e impotentes, saco de batatas podres, poltrão, língua viperina, asno imbecil, filho de uma égua engalicada, e por aí vai.
As tragédias também fazem parte da minha lista, mas acho que sigo um pouco mais com as comédias.
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