
O Rei Lear
William Shakespeare
Coleção L&PM Pocket
140 páginas
ISBN: 978.85.254.0681-1
Preço: R$10,00
Tradução: Millor Fernandes
A teimosia foi maior, e eu não deixei nem Lear, nem Macbeth e nem A Tempestade para outra ocasião. Continuo sem muita inspiração para escrever sobre o que li - até porque teatro não é meu forte. Mas vou tentar, nem que seja para copiar pedaços das contracapas.
O que não me entusiasma muito a respeito desse tipo de obra é que, por razões óbvias, o texto é todo constituído de diálogos, em geral curtos, que devem resumir situações complexas, sentimentos, idéias, dores e amores. O que num romance ou mesmo num conto toma uma ou duas páginas, aqui ocupa um par de linhas. Acredito que o palco e a possibilidade de ver a face e a voz das emoções mude essa sensação. Mas como já disse, o teatro não é meu forte. Talvez tenha sido por isso que tive uma sensação de sobrecarga de clichés ao ler O Rei Lear.
O outrora poderoso rei sente a velhice pesando sobre seus ombros e embotando seu cérebro, levando-o a tomar decisões erradas sobre o futuro de seu reino. Suas duas filhas casadas enganam-no com frases falsamente adocicadas e recebem cada uma metade de todas as terras. A filha mais moça, solteira, é incapaz de usar de inverdades e assim comover o rei. Amigos fiéis que tentam abrir os olhos de Lear são condenados por traição. A falsidade torna-se a regra, e o rei encontra-se abandonado, na rua, rodeado apenas por alguns soldados e por seu Bobo, um dos poucos que mantém a lucidez.
A decrepitude anda a passos rápidos e Lear, uma vez dando-se conta de seus erros, sofre ainda mais e enlouquece. Como diz o Conde de Kent, o amigo fiel "...que desde o começo de teu infortúnio e declínio seguiu teus tristes passos": tudo é desolação, trevas e luto.
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